quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Mulher é estuprada e enterrada viva pelo ex-companheiro


Uma mulher foi espancada, estuprada, amordaçada, teve um pedaço de madeira introduzido na vagina e em seguida foi enterrada viva no município de Jacobina, localizado a 336 km de Salvador. O crime ocorreu no povoado de Caatinga do Moura na manhã de segunda-feira (21) quando Leandro Severo da Silva, de 37 anos, utilizou uma faca para render a ex-mulher, Ione da Silva Araújo, de 32, quando ela estava saindo de casa.
 
Segundo a delegacia da cidade, a mulher foi levada para um pasto, onde foi agredida e sofreu a violência sexual. O homem ainda colocou pedaços de madeira nas partes íntimas da vítima. Ione teve as mãos e pés amarrados e foi enterrada em um cova rasa. Em depoimento, Ione disse que foi enterrada às 6h da manhã e só conseguiu deixar a cova às 12h30. Ela se arrastou até o quintal de casa e foi socorrida. A mulher foi encaminhada para o hospital em Jacobina e em seguida prestou queixa contra o ex-marido, que foi preso em flagrante.
 
Leandro confessou o crime e disse que estava com raiva da ex-mulher, pois não aceitava a separação. O homem disse ainda que já tinha estuprado a vítima por duas oportunidades este ano. O acusado já havia sido preso por atear fogo na casa e jogar gasolina sobre a ex-companheira. Leandro segue preso na delegacia de Jacobina e permanece a disposição da Justiça.

Em homenagem aos 30 anos da morte de Vladimir Herzog, Câmara inaugura Praça e Memorial em seu nome

Em homenagem ao jornalista e professor Vladimir Herzog, a Câmara Municipal de São Paulo
irá inaugurar, às 11h desta sexta-feira (25), a Praça e Memorial Vladimir Herzog, localizada atrás do Palácio Anchieta, no início da Rua Santo Antonio, confluência com a Praça da Bandeira.
Além da renomeação do espaço - antes chamado Divina Providência -, será descerrado um mosaico, elaborado pelo Projeto Ancora, reproduzindo o quadro "25 de outubro", do artista plástico Elifas Andreato.
Foram convidados para a cerimônia, todos os jornalistas que já ocuparam a presidência do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de São Paulo, os integrantes da Comissão Municipal da Verdade, que leva o nome "Vladimir Herzog" e as crianças do Projeto Âncora.
Está previsto ainda a execução do Hino da República pela banda da Guarda Civil Metropolitana.

Praça  e Memorial Vladimir Herzog
No projeto original, o local receberá, além do mosaico, uma estátua de bronze, com cerca de 2 m de altura, e uma réplica do troféu entregue aos vencedores do Prêmio de Jornalismo Vladimir Herzog (evento criado pelo Comitê Brasileiro de Anistia (CBA) de Minas Gerais para denunciar a repressão dos tempos militares).
A estátua do jornalista será uma reprodução da imagem “Vlado Vitorioso”, criada por Andreato para a ONU em 2008, em comemoração aos 60 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos.
A réplica do troféu entregue aos vencedores do ‘Prêmio de Jornalismo Vladimir Herzog’ homenageia o jornalista, com a missão de contribuir para a reflexão e produção de informações que garantam o direito à vida e à justiça.

25 de outubro

A escolha da data para a inauguração e do quadro para ilustrar o mosaico estão relacionados ao 25 de outubro de 1975, dia em que o jornalista foi convocado à sede do DOI-Codi (Destacamento de Operações de Informações e Centro de Defesa), e, na tarde deste mesmo dia, foi encontrado morto.
Até março deste ano, a versão oficial alegava que Vlado teria se enforcado com o próprio cinto do seu macacão de presidiário. Porém, após vitória judicial da família Herzog, o Estado reconheceu e apresentou novo atestado de óbito confessando o assassinato do jornalista sob tortura.


Quem foi Herzog?

Vladimir Herzog nasceu em 1937, na Iugoslávia e imigrou para o Brasil em 1942, fugido do nazismo na Europa. Estudou Filosofia na USP, mas foi no jornalismo que encontrou a sua verdadeira paixão. Em 1959 atuou pela primeira vez na área da comunicação, na Folha de S. Paulo, e desde então atuou em inúmeros veículos de informação, entre eles, O Estado de S. Paulo e na BBC de Londres (época em que morou na Inglaterra com a sua esposa Clarice).
Continuou na área da comunicação trabalhando como redator do telejornal diário “Show de Notícias", da antiga TV Excelsior, e depois editor de cultura na revista Visão e diretor do departamento de Telejornalismo na TV Cultura. Também trabalhou como teatrólogo e professor universitário, dando aulas na FAAP e na ECA-USP.
Além da sua paixão pelo jornalismo, Herzog tinha grande interesse pela área cinematográfica, inclusive dirigiu o curta metragem ‘Marimbás’ em 1963. O curta conta a história de um grupo que sobrevivia da pesca no Posto 6, em Copacabana (RJ). O jornalista mostra no filme a grande preocupação que tinha com a sociedade. ‘Marimbás’ foi um dos primeiros documentários nacionais feitos com som direto.
‘Vlado’ tinha 38 anos quando morreu, era casado e pai de dois filhos. Se estivesse vivo, atualmente teria 75 anos.

Colbert é contra CPMF em defesa da sociedade

“Mudei minha posição para beneficiar a sociedade, e não para prejudicar. Quem deve ser condenado pelo povo é quem agora ainda quer a CPMF de volta. Eu não quero”. Argumenta o deputado Colbert Martins (PMDB-BA), rebatendo críticas de que mudou sua opinião a respeito da CPMF.

“O governo federal acaba de bater mais um recorde na arrecadação de impostos, com R$ 84,212 bilhões arrecadados em setembro e R$ 806,446 bilhões nos noves meses deste ano. E eu estou sendo questionando porque resolvi ficar contra mais um imposto?”, ironiza o deputado.

Recentemente, numa reunião de uma comissão especial para estudar o financiamento para o sistema de saúde pública, o parlamentar baiano rebateu, com veemência, a proposta de retorno da CPMF, feita pelo deputado federal sergipano Rogério Carvalho, do PT. 

O deputado Colbert Martins (PMDB) votou, em 2007, a favor de uma prorrogação da CPMF com prazo determinado de quatro anos para o fim do imposto, ou seja, até 2011.  O parlamentar feirense mudou, atualmente, sua posição a respeito do imposto, assim como mudou sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente, que votou a favor da criação, mas hoje defende a redução da maioridade penal para menores envolvidos em casos de crimes hediondos.

“Em 2007, a proposta é que a CPMF durasse apenas mais quatro anos, é diferente de hoje, que querem trazer de volta. Além do mais, naquela época votei confiando que o imposto poderia realmente ser aplicado na melhoria da saúde pública. Logo, minha mudança de posição não tem nenhuma incoerência ou conotação político-partidária, até porque o PMDB faz parte do governo federal. Ou já esqueceram que o vice-presidente é do meu partido”, argumenta o deputado.

Prefeitos baianos param em protesto pela diminuição das receitas

Prefeitos pedem também mudança na Lei de Responsabilidade Fiscal
Prefeitos baianos param em protesto pela diminuição das receitasPrefeitos do interior baiano decidiram aderir ao movimento municipalista em Sergipe e também vão paralisar as atividades das prefeituras nesta sexta-feira (25). De acordo com o presidente da Associação dos Municípios do Sul, Extremo Sul e Sudoeste da Bahia (Amurc) e prefeito de Ibicaraí, Lenildo Santana, os gestores pretendem chamar a atenção do governo federal para a revisão do Pacto Federativo, devido à diminuição das receitas ao longo dos últimos anos. Entre as principais dificuldades enfrentadas pelos administrações municipais está o custeio dos programas federais e estaduais, sendo que, em alguns casos, segundo eles, o município é obrigado a custear 100% do programa. Segundo a União dos Municípios da Bahia (UPB), os dados que apresentam as disparidades entre recursos e custeios dos programas federais foram apresentados no início do mês pela Confederação Nacional dos Municípios (CNM). Conforme levantamento, na Educação, por exemplo, o custo médio diário da merenda escolar na creche, que não é de responsabilidade do município, é de R$ 2,88, enquanto o repasse médio diário é de apenas R$ 1. Somado aos gastos com o transporte escolar, que também não é de competência municipal, a administração arca com 100% das despesas. Outra reclamação dos prefeitos do interior são as constantes rejeições das contas por conta das despesas com pessoal, que aparece na Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) e é considerado um dos itens mais rígido aplicado pelos órgãos reguladores. De acordo com a lei, o Executivo municipal só pode gastar 54% da receita corrente líquida com o setor de pessoal. Esse valor inclui o gasto com o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), Seguro de Acidente de Trabalho (SAT) e Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS). Os prefeitos questionam a incidência dos referidos encargos dentro do cálculo dos gastos de pessoal, uma vez que os mesmos não se referem a valores repassados como salário ao servidor, mas como valores repassados ao Estado e ao FGTS. Os gestores contestam a redação original da LRF, onde diz que os encargos sociais e as contribuições recolhidas pelo ente às entidades de previdência fazem parte do cálculo.

Lição de Vida - Conheça a história desta gurreira que venceu o câncer de mama



Imagem: Arquivo pessoal
No mês que o Brasil inteiro – e a FAT – estão engajados na campanha Outubro Rosa, temos a honra de contar a história de uma mulher de fibra que venceu o câncer de mama – Isolda Pelegrini. Em 2007, observando suas mamas, Isolda percebeu um nódulo em um dos seis e o ginecologista à época disse que se tratava apenas de uma conseqüência da displasia mamária. Mesmo acostumada a fazer mamografias anualmente e nunca ter sido detectado nada, ela não se conformou com o que o médico disse e ficou ainda mais preocupada quando o bico do seio começou a murchar e expelir um líquido escuro. Isolda decidiu,então, procurar outro médico por conta própria, Dr. Cristiano Fragoso, que depois de uma punção, recomendou que ela procurasse um mastologista.

Ao analisar o resultado da biópsia, o mastologista, a principio, recomendou a retirada de um quadrante da mama afetada, mas ao se consultar com o oncologista Luis Café, que acompanhou todo o tratamento de Isolda, ele foi taxativo: para não correr o risco do câncer retornar, era preciso a retirada de toda a mama. “Claro que, na hora, você se abate. A gente que é mulher, vaidosa, feminina, perde o chão quando ouve uma coisa daquela”, confessa Isolda. “Mas eu decidi lutar por minha vida”.
 
Ela não contou a ninguém da família sobre o problema, porque sua mãe estava em cima de uma cama, com suspeita de câncer na coluna, e seu irmão mais velho tinha passado a pouco tempo pela mesma doença. “Só falei com uma prima e seu marido, que são médicos, para buscar orientação. Enfrentei o início do tratamento praticamente sozinha”. Após um mês do diagnóstico, Isolda fez a cirurgia para retirada da mama e começou, em seguida, a radioterapia. “Foi um mês inteiro tomando medicação diariamente”, relembra ela. Depois, vieram as sessões de quimioterapia – cinco, no total.
Mas Isolda nunca perdeu a esperança e a fé na vida. “Pedi muito discernimento a Deus durante todo o processo. Nunca entrei em depressão. Ao contrário: as pessoas iam me visitar e eu é que era a psicóloga, quem botava o clima para cima”, conta. “Sempre digo às pessoas que tem ou tiveram câncer: não se questionem ou questionem Deus. Agradeçam a Ele e façam o que é preciso ser feito”, reflete.
 
No ultimo dia 17/10, Isolda conquistou uma importante vitória contra a doença. Conclui a ultima caixa do medicamento que usou durante cinco anos para combater um possível retorno da doença. “Para ser uma mulher que nem eu, que ter muito peito”, brinca Isolda, que até hoje não fez a reconstituição da mama e ainda assim está bem resolvida com o próprio corpo.
 
Recompensas – Antes mesmo do fim do tratamento, Isolda realizou o desejo de ser mãe, ao adotar o pequeno Irrajy, atualmente com 4 anos. “Deus me deu meu filho de presente. Quando ele chegou, eu estava tão fraca por causa do tratamento, que quase não conseguia carregá-lo. Mas ele foi uma das coisas que me deram animo e vontade de viver ainda mais”, afirma sorridente.
 
Em meio ao tratamento, Isolda também descobriu uma paixão inusitada para o universo feminino – o motociclismo. Ela chegou a fundar até um motoclube só para mulheres: o Loiras Estradeiras, em Serrinha. “Funciona para mim como uma terapia. Além de ser muito bom participar dos eventos e competições de moto, inclusive disputando com os homens”, explica a motoqueira.
 
Sobre seus planos para o futuro, Isolda não titubeia. “Coloquei como propósito para Deus que meu filho se torne um médico e possa ajudar a salvar muitas e muitas vidas, com a minha foi salva”. Ela até já pendurou no quarto do filho um quadro com os seguintes dizeres: “Irrajy Cadmo Pelegrini – Médico oncologista revelação do ano”. Alguém tem dúvida de que esta mulher guerreira terá seu desejo realizado?
 
 
 

Silvia Dantas

Brasil: População católica cai para 64%

 
Brasil: População católica cai para 64%. 19052.jpeg

No Brasil, população católica cai de 93% para 64% e evangélica salta de 4% para 22%

SÃO PAULO/BRASIL - Em meio século, de 1960 a 2010, o Brasil viu a parcela de sua população que se declara católica cair de 93,1% para 64,6%. A queda foi constatada com a divulgação, pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), de novas informações do Censo 2010.
Por ANTONIO CARLOS LACERDA
Em 2000, segundo dados do censo daquele ano, os católicos representavam 73,6% da população. Em seguida vinham evangélicos (15,4%), pessoas sem religião (7,4%), pessoas de outras religiosidades (1,8%), espíritas (1,3%) e umbandistas e candomblecistas (0,3%).

A pesquisa mostra que a queda na proporção de católicos foi acompanhada pelo crescimento dos evangélicos, que em 1960 eram apenas 4% da população e em 2010 alcançaram 22,2%. O número de pessoas sem religião também teve aumento expressivo, passando de 0,6% para 8% nos mesmos cinquenta anos.

No caso dos evangélicos, o crescimento foi puxado pelas igrejas de origem pentecostal, como a Assembleia de Deus ou a Universal do Reino de Deus, que atingiram 13,3% do total da população. Os chamados evangélicos de missão, pertencentes a religiões mais tradicionais, como a luterana e a batista, tiveram menos oscilações.

O censo incluiu uma única pergunta sobre religião (Qual a sua religião ou culto?), que estava no questionário aplicado a parte da população. Para chegar aos resultados nacionais, o IBGE utilizou métodos estatísticos.

Segundo a pesquisa, os católicos somavam 123,3 milhões de pessoas no país em 2010, e os evangélicos, 42,3 milhões. Outras religiões que também foram citadas foram o espiritismo (2,8 milhões), a umbanda (407,3 mil), o candomblé (167,4 mil), o budismo (244 mil), o judaismo (107,3 mil), o islamismo (35,2 mil) e o hinduismo (5,6 mil).

Do total de evangélicos, 7,7 milhões eram de religiões de missão, 25,4 milhões eram de religiões de origem pentecostal e 9,2 milhões de religiões não determinadas -- como a pergunta feita pelos recenseadores tinha resposta aberta (ou, seja, não apresentava opções dentre as quais a pessoa tinha que escolher sua resposta), alguns só responderam que a religião era evangélica, sem dar mais detalhes.

Da mesma forma, 15,3 milhões de pessoas disseram não ter religião. Desses, 615,1 mil afirmaram expressamente ser ateus e 124,4 mil, agnósticos.

ANTONIO CARLOS LACERDA é Correspondente Internacional do PRAVDA.RU

Ipecaetá: Homicídio no Distrito de Serrote


Na noite desta quarta feira (24), por volta das 22 horas, três homens a bordo de um veiculo Pálio de cor vermelha, assassinaram a tiros na localidade de Serrote, Valdeir Santiago Pereira 24 anos.
Segundo informações da policia, os acusados invadiram a casa procurando por Valdeir que foi localizado, momento em que os criminosos pediram que os familiares se afastassem e deflagraram três tiros que acertaram a cabeça de Valdeir que morreu instantaneamente. 

A policia revelou que na noite da ultima sexta feira (18) quando bandidos assassinaram um menor na fazenda Passagem no município de Ipecaetá, durante um assalto, Valdeir também foi assaltado e levou várias coronhadas de revólver na cabeça e tendo todos os documentos levados pelos assaltantes.

Policiais militares e civis fazem diligencias na tentativa de localizar e prender os assassinos.

O corpo foi removido para o necrotério do Hospital Municipal de Ipecaetá

Blog Guardião do Povo

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Audálio Dantas recebe prêmio Jabuti por biografia de Vladimir Herzog




Considerado uma “quitação de dívida” por Audálio Dantas, seu mais recente livro “As duas guerras de Vlado” receberá no próximo dia 13 de novembro o Prêmio Jabuti de literatura. A obra conta a trajetória do jornalista Vladimir Herzog desde sua infância na Iugoslávia e Itália até seus últimos dias no Doi-Codi, vítima da ditadura militar no Brasil.

Audálio esteve no 8° Congresso da Abraji para falar sobre o novo trabalho e o papel de biografias como retrato histórico. “Eu não pensei em nenhum momento em obter prêmios com este trabalho, mas o Jabuti tem um sentido muito forte, principalmente porque este livro é biografia e história ao mesmo tempo e eu, como jornalista, fiz questão de escrevê-lo como livro-reportagem”, conta o autor que no trabalho de apuração se deparou com novas questões sobre a versão oficial da morte de Vladimir Herzog.
Entre estas questões, Audálio destaca a total falta de veracidade dos documentos do regime mantidos atualmente no Arquivo Nacional, inclusive citando ele mesmo.  Segundo Audálio, nos documentos consultados era dado como verdade que Vladimir Herzog fosse instrumento do Partido Comunista Brasileiro para um projeto de dominação da imprensa nacional. “Os documentos não têm nenhuma consistência, eles fazem parte de uma mentira. Não havia como isso acontecer”, afirma.
“Ao mesmo tempo os documentos sobre a minha atuação revelam uma irresponsabilidade total porque em seis ou sete deles sou citado como pertencente a uma organização politica armada diferente e, absolutamente, nunca houve minha vinculação a nenhuma delas”, revela o autor, que também tornou-se personagem no próprio livro reportagem· Amigo de Herzog, Audálio lembra que a proximidade com o biografado atrapalhou em muitos casos a apuração.
Entre as situações mais delicadas, está a de dar entrada na documentação junto ao Arquivo Nacional, que exigia um atestado de óbito do falso suicídio do jornalista. Neste momento, a convicção de amigo superou o interesse de jornalista. “Eu me negava a apresentá-lo porque eu tinha certeza que o atestado dado era falso. Pouco depois a Comissão Nacional da Verdade determinou que fosse feita a retificação. Mas para ter acesso à documentação do Vlado eu precisei entrar na Justiça.”, conta o veterano, que se considera em um momento de “graça”, recompensado pelo trabalho e o pagamento da dívida com o amigo.

Para os jornalistas refletirem - Por Fernando Molica


A diretoria do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro continua a errar. Insiste em misturar a condenação aos ataques a jornalistas com a questão da linha editorial dos veículos. A suposta boa intenção de separar jornalistas de empresas jornalísticas cai por terra quando o sindicato faz uma condenação genérica a "veículos da imprensa comercial" - pelo jeito, a diretoria da entidade que deveria representar os jornalistas profissionais acha que os mídias ninjas e que tais fazem uma cobertura isenta, imparcial, objetiva e nada militante. 

A condenação genérica à cobertura das manifestações feita pelo "veículos da imprensa comercial" serve apenas para jogar mais lenha na insensatez dos covardes que insistem em agredir jornalistas em manifestações. Na prática, o sindicato acaba justificando as agressões. A entidade pode condenar esta ou aquela reportagem, pode condenar muitas reportagens, esta ou aquela manchete, mas deve fazê-lo de maneira específica, pontual, sem deixar que esta crítica passe a servir para todas as matérias relacionadas às manifestações. Esta condenação não pode ser feita no mesmo documento em que critica agressões físicas a colegas.

Nota em solidariedade a colegas agredidos não é lugar para se falar em Cláusula de Consciência - isto contribui, insisto, para reforçar a ideia de que todos os jornais, rádios, revistas e TV manipulam todas as informações, especialmente às relacionadas a movimentos sociais. Mais grave: transmite a certeza de uma quase impossibilidade de se fazer jornalismo de qualidade em "veículos da imprensa comercial". Como jornalista que há mais de 30 anos trabalha em "veículos da imprensa comercial", sinto-me ofendido com este tipo de insinuação.

Abaixo, a nota do sindicato:

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro repudia com veemência todas as formas de violência que têm sido praticadas contra os profissionais da imprensa em nossa cidade.

Não para de aumentar o número de casos de agressões contra profissionais de imprensa registrados no relatório que o nosso Sindicato elabora para entregar, em novembro, às autoridades locais e internacionais durante audiência pública que será realizada na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, sobre Liberdade de Imprensa e Violência contra Jornalistas.

Há dezenas de registros de ataques cometidos tanto por policiais militares como por manifestantes. Policiais militares têm usado cassetetes e balas de borracha, além bombas de gás lacrimogêneo, para tentar impedir os jornalistas de registrar prisões ou agressões a manifestantes.

Já a alegada revolta de manifestantes contra a linha editorial dos veículos da imprensa comercial jamais poderia justificar os atos de violência que têm praticado contra os jornalistas. Os trabalhadores não podem ser responsabilizados pela linha editorial das empresas nas quais trabalham. Nosso Sindicato defende, inclusive, o valor do Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros. Reivindica o respeito patronal à Cláusula de Consciência, segundo a qual, todo profissional pode se negar a cumprir tarefas que firam a ética e os direitos humanos, sem perder o emprego.

É fato que a luta pela democratização da comunicação é legítima e se trata mesmo de uma bandeira de nosso Sindicato. Mas o direito humano à comunicação deve ser cobrado do Estado. Cercear o trabalho de jornalistas, hostilizá-los ou agredi-los fere gravemente a liberdade de imprensa, a democracia e os direitos humanos.